Velhas amigas


Sinto meu músculo rígido, entrelaçando as minhas amarras entre suas fibras. Nervoso, ele se encolhe, lateja e dorme.

Meu pescoço quente, liso e denso carrega como fardo o peso da minha cabeça, que não é leve... Mas não mais pesada que meu pensamento.

O silêncio tem som aqui dentro, são todas as vozes juntas, dizendo tudo e nada ao mesmo tempo.

Nunca estou sozinha, estou fadada à minha eterna presença... e me apreendo.

Minhas velhas amigas, as vozes falam no mais alto dos volumes... e eu, tentando abaixar o som, não consigo ouvir mais nada.

Confusa, olho para os lados constantemente, não quero que escutem a voz inexistente.

As vozes vem e vão, é como ouvir passos vindo em minha direção tentando pará-los usando a força dos músculos, agarrando o nada.

Elas são a subjetividade da alma que se refletem nos olhos cerrados, tentando ouvir minha presença dentro do vazio materializado.

Só consigo alcançá-las quando as traduzo com palavras, aconselhando-as para que verso seguirem, como se fossem uma velha amiga precisando de conselho.

Eu apenas as silencio, quando me escrevo.

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